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A perda

Junho 18, 2008

Há uns anos que recorro, como todos fazemos ao poder da palavra, oral e escrita. Relativamente à escrita lembro com especial cuidado o momento em troquei pela primeira vez e-mails, neles coloquei um pouco do meu dia a dia, juntamente com o imprevisto e a novidade das descobertas que vivia. Não contava com a resposta, ou, talvez, esperasse uma outra. Na altura o que obtive não chegou pela net, veio sim rápida e lesta, por comboio, para meu grande terror, pois a realidade transcende sempre a ficção. Foi um rápido desencontro de comunicação que me ficou na memória, estava nos meus primórdios de utilização de internet.  Passados tantos anos, uso-a como forma de comunicação, nem sempre será a mais directa, mas certo é que transformou a minha vida e a de todos.

Vejamos, criar um blog, tem a ver ou não com essa vontade de comunicar, de partilhar algo, com perfeitíssimos estranhos, ou não?

Porque todos realizamos, contamos os mesmos gestos e histórias, com as devidas salvaguardas e adaptações, somos humanos, muito humanos, como diz um amigo, por isso sentimos, rimos, amamos e choramos. Ás vezes a escrita é uma última companhia que revela tudo o que os outros conseguem ler e que conseguimos dizer, perdão escrever.

Hoje, porque nunca reescrevi um texto já publicado, se tivesse que fazê-lo seria o de 12 de Fevereiro de 2006, texto que me alerta para a efemeridade da nossa condição humana e para um estado de alma revelador de uma certa tristeza e de sentimento de perda.

Hoje deveria estar a escrever sobre perda, mas afinal não é necessário.

Hoje a perda é real, o poder da palavra também.

Que bons ventos nos guiem…

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A propósito da nossa tri-conversa de hoje fica a canção…

Junho 17, 2008

 

AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)

Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora

 

P.S.: M. este sim é para ti, vês porque acho piada a esta artista?

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Frase do entardecer

Junho 16, 2008

 

Encher o vazio é ouvir quebrar o silêncio quando

chamas e eu amo.

(voltei para acrescentar que em vez do verbo amar queria ter colocado o gostar)

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E se de repente um cavalo se apaixonasse por uma menina?

Junho 15, 2008

Hoje lembrei-me da história de um rapaz que recebe um bolo enfeitiçado. Por suspeitar que a sua pretendente recorria a meios pouco lícitos para obter o seu amor,  o rapazote, bom partido (já agora, haverá algum partido bom?) levou a sua suspeição e credulidade até ao fim e na dúvida deu o bolo (também entendido no sentido de pão)…ao seu cavalo.

Que bom, deveria ter dito o cavalo, um bolo! Desculpem, foi apenas o meu entusiasmo, pois no conto tal comentário nunca é feito pelo cavalo… nem pelo narrador. Em contrapartida, temos a forte presença de um cavalo que se expressa agindo apaixonado; no auge da paixão pela menina que lhe fez a comezaina, vai, com seus cascos, bater-lhe veementemente à porta. Tremenda desilusão sente a menina-que deu-bolo-com-feitiço-ao-objecto-dos-seus-sonhos-e-que-por-ele-esperava… Quem disse que os seres vivos são previsíveis ?… 

Ora bem, esta história com cavalo surgiu a propósito do livro que comecei a ler (grande novidade! Recomecei a leitura de alguns livros em atraso), ou seja, Qual é a minha ou a tua língua? Cem poemas de amor de outras línguas.  Reconheci alguns dos textos escolhidos, vão ler, enquanto deixo aqui o lembrete da história do rapaz, do cavalo e da menina. Podemos encontrar a versão completa deste conto (que também fala de amor…) em Contos Populares Portugueses, coligidos por José Leite de Vasconcellos. Amor e ironia não faltam nos nossos contos nem na minha memória.

Se é perigoso comer pão/bolo actualmente deve ser devido aos preços desgracentos que mostram os fundilhos das carteiras, mas como diz o ditado: não há fome que não dê em fartura, por isso peguei no livro que me foi gentilmente emprestado: Excesso de açucar e li até à página 38. Estava perfeitamente descansada pois na capa dizia claramente:“aviso, contém linguagem explícita” faz muita falta linguagem explicita, nos livros e no amor. Parei na referida página porque os livros são como os bolos, quando comemos/lemos um pode apetecer-nos outro ( e… o amor…) e foi assim, de mansinho, como quem quer passar uma tarde boa, que abri o  Cemitério de pianos, do José Luís Peixoto. Habitualmente fujo dos cemitérios sempre que posso, por causa das lágrimas que lhes associo, e pelo ar triste que têm, deve ser essa impresão que faz com que me entristessa e chore. É certo e sabido que quando choramos em locais públicos (mesmo com público morto a assistir ) as lágrimas têm tendência para se espalharem ou ficarem do lado de dentro da cara, invisíveis. Pois… assim que prossegui a leitura da trama narrativa acima referida derramei algumas lágrimas. Visívelmente ocupada em recolher esses fluídos que se espalhavam por todo lado, parei a leitura e fiquei-me pela música, francesa, desta vez, e ouvida provavelmente pelos vizinhos (sorry) mas foi alto e bom som que tentei aliviar o peso do dia 14.

Foram tantas as emoções e algum desespero perante a preparação de algo que continua a sair mal e implica tintas e pincéis que resolvi parar para fumar um cigarro, novo exercício (raro) a que me dedico. Aparentemente, fumar parece fazer o cérebro funcionar mais lentamente,  foi uma notícia lida na neet, muito apressadamente não reparei quem a assinava, por isso mereceu-me algumas dúvidas, digo, merecer-me-ia … se  não tivesse relido o que acabei de escrever: deve ser verdade mesmo!

Recomendo, sem ainda o ter terminado de ler, mas sabemos logo quando vamos amar, porque o amor cola-se-nos à pele dos dedos, (inclusive quando passamos as páginas)  a leitura de O Cemitério de pianos, tem uma escrita que nos prende e solta, característica que me agrada. Vamos ver quando voltarei a ele.

Agora vou impedir a gata M. de beber a coca-cola que está ao lado do pc, antes que provoque algum efeito secundário ao pc ou à gata.

A. Gonçalves                                                                            

 P.S.: Se conhecer meninas apaixonadas por cavalos ou outros animais diga…

 

 

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no estaleiro III

Junho 14, 2008

DE NOVO FICAREI EM PONTO MORTO, SEM COMBUSTÍVEL, FORA DE SERVIÇO.

 Novamente  AS MINHAS DESCULPAS.

A. GONÇALVES