Archive for Dezembro, 2005

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Último dia aos amigos, aos que acontecem, aos que não esquecem, aos que aparecem, aos que…

Dezembro 31, 2005

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Vinicius de Morais in Poesia Completa e Prosa

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Fale quando as suas palavras sejam tão suaves com…

Dezembro 30, 2005

Fale quando as suas palavras sejam tão suaves como o silêncio…

Autor desconhecido

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Os eucaliptos estão floridos

Dezembro 29, 2005

Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem.

Susana Tamaro, Vai Aonde te Leva o Coração

Sei que esta árvore, por ser de crescimento rápido e dar lucro, invadiu os nossos solos, em detrimento de outras árvores. A escolha não é da árvore que continua a ser árvore e multiplica-se facilmente.
Gosto naturalmente dela, do seu cheiro, da sua altivez e beleza. Mas a ausência, nestes campos fora, de outras árvores que crescem mais lentamente dá que pensar…
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Que saudades tenho de quem, com um rosto curtid…

Dezembro 28, 2005

Que saudades tenho de quem, com um rosto curtido pelo tempo, verdadeiro mapa com rugosidades de tom escurecido pelo sol e pelo vento, dava serralhas aos coelhos.

Agora, num rasgo de cimento e lajes, surge uma serralha clandestina… há quem lhe chame erva daninha (a alastrar ?).
Fico feliz por ela ali estar, florida e por me fazer sentir a memória.

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Poder voltar aos locais encantados aconteceu e é m…

Dezembro 28, 2005
Poder voltar aos locais encantados aconteceu e é muito bom…
As rosas da minha mãe são lindas, têm história pois foram cuidadas, ocupam o céu quando olhamos para cima.



Lavar os olhos neste mar cheio de espuma, na rebentação das ondas.
Ter este céu a correr, levando nuvens cor de sonho.
Espreitar por entre as canas, que ainda existem (contarão segredos?) e reencontrar a paisagem: mar com Palheirão antes da linha do horizonte!

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Recuperemos calmamente… os olhos também comem. …

Dezembro 27, 2005

Recuperemos calmamente… os olhos também comem.
Hoje é dia de ser onda e mergulhar num mar, bêbado de canela.
Os sentidos despertam nos abraços das conversas.

Faz ou não muita falta uma flor que cintila na chuva, perfuma no escuro e faz crescer o silêncio em nós?
Há gestos, passos e distâncias que não ignoram afectos. E
um fogo que arde sem se ver também necessita de ser tocado pelos olhares que nos banham, porque perfumam no escuro, partilham e crescem na magia da comunicação.

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É bem verdade, nem sempre o que parece é. Acredit…

Dezembro 24, 2005

É bem verdade, nem sempre o que parece é.

Acredito que há palavras e presenças que fumegam em nós,
que existem frases que não questionam.
Atrevo-me a acrescentar: os sabores inesquecíveis são, por vezes, inesperados!

Nas palavras de Cunningham o inesperado espreita.
Ele surge anunciado num não saíu bem , no de qualquer modo,
no mais ou menos da mesma maneira, nas prendas… apreciadas…

O seu bolo pode não ter saído bem, mas ela é amada, de qualquer modo. É amada, pensa, mais ou menos da mesma maneira que as suas prendas serão apreciadas: porque foram dadas com boa intenção, porque existem, porque fazem parte de um mundo em que uma pessoa quer o que recebe.

As Horas, Michael Cunningham