Archive for Abril, 2008

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Percursos

Abril 29, 2008

  

Encontramo-nos nos percursos paralelos, e voltamos a perdermo-nos sem vontade, num nós sem tempo. Nós e o tempo a passarmos na cadência da vida. Paragens e partidas, pressa, ritmos de contemporaneidade. Nós em percursos paralelos e nós em oblíquos olhares: de cabeça para baixo, risos, choros murmúrios indeléveis. Uma vez e tantas, momentos com e sem memória, uma cor numa gargalhada, um cheiro numa caminhada. Percursos, sem caminhos alternativos com tempos e sentidos a correrem em versos, em silêncios de palavras e em olhos cegos. No papel de carta inscreve-se um remetente, uma direcção a uma felicidade de sonhos. Os caminhos, as ruas, as cidades, os rios, as pontes, os desafios, as montanhas, as construções… os medos esbatem-se no traço de um nascente.

A. 

 

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Take 2 : gata bocejando…

Abril 28, 2008

 

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Take 1

Abril 28, 2008

 

 É vão o amor, o ódio, ou o desdém,

  Inútil o desejo ou o sentimento…

  Lançar um grande amor aos pés de alguém

  O mesmo é que lançar flores ao vento 

Florbela Espanca

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Porque atravessou o mar…

Abril 25, 2008

Tanto Mar (Versão I)

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque

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Porque hoje é dia 25 de Abril… sempre

Abril 25, 2008

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

 

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Abril 24, 2008
Nunca sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ter uma madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?

Alberto Caeiro

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Frases

Abril 23, 2008

Há algo de definitivo no perder que  passa pela aceitação.

 

A.