Archive for Outubro, 2008

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Um dia todos partimos

Outubro 29, 2008

Inevitável. Tal como respiramos ar e expiramos  dióxido de carbono. O prazo das nossas decisões oscila, como os batimentos do coração. Seremos seres perenes, no entanto, não seguimos sós, o medo, a força ou um outro acompanhante que escolhermos estão connosco, trilham os caminhos que fizermos, pendurando-se nas árvores que avistarmos e nos rios que atravessarmos… ou não.

Todos os dias são milagres, a novidade espreita, juntinho à saudade do que ficou , por algum tempo, fora do alcance de um olhar,ou, pelo menos, de um toque. Onde quer que estejamos seremos nós… e o que virmos e fizermos.

Fazemos milagres com os quilómetros, com as horas, apenas porque temos a firme vontade de partir com a fé de que o nosso conhecimento ficará mais forte, de que a transformação que faremos e pela qual passsaremos nos mostrará algo mais ou algo menos.

Todos os  regressos serão também partidas.

Há no detalhe das diferenças e semelhanças  que guiam as nossas decisões uma importância sempre renovada, uma incerteza que nos traz à memória, também, a vontade de viver e de amar, mesmo em tempos difíceis.

De longe, o menos fácil é ficar, permanecer com a força para mudar… o que desejamos mudar.

Não interessam os quilómetros que percorrermos, interessa-nos a forma como o fizermos.

Durante o tempo que duram  as vidas dos que amamos e a nossa própria vida, pode acontecer “perdermos o pé” em apenas meio metro de água. Podemos, ou não  passar a ver o que está mais perto de nós de uma forma diferente, ou, até deixarmos de ver.

 Partir não se resume a/em distância ou próximidade… é mais uma vontade.

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por cem ou por mil

Outubro 27, 2008

No restaurante a conversa prosseguia animada entre  as duas personagens. Mantive-me com os olhos postos no livro, no entanto, não pude impedir-me de ouvir o que diziam. Sorri ao perceber que se tratavam naqueles bancos azuis de questões vitais: escrever era bom! Claro que tinha que ser um acto de partilha! Foi então que as lágrimas surgiram, era a criança de colo, na mesa do lado, que, visivelmente, estava preocupada com questões muito práticas, estas incluíam uma vontade de comer uma bolacha, algo que se resolveu facilmente. Saí rapidamente e o frio não me incomodou. Apanhei o 101.

No final da viagem desci os degraus com cuidado, trazia comigo a certeza de ter percorrido um caminho maior do que o feito pelo autocarro. Pensei porque havia tanto tempo que não escrevia nada que me apetecesse partilhar, se continuava a sentir a escrita como um acto de liberdade partilhado, como algo que tem a dupla capacidade: a de tornar tudo mais límpido e sereno ou a de poder virar o mundo ao contrário. Sabia perfeitamente a resposta, continuei a pé, coxeando até chegar ao destino e iniciar mais um dia de trabalho, o dia ia ser longo.

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Outubro 19, 2008

Voltar sem foto tem as suas vantagens, nomeadamente poder falar de coisas que temos, vimos, gostamos. Por exemplo, hoje, só quero lembrar de um final de tarde, amigos e um arco-íris, que como convém, antes da chuvada, fez fugir tudo, excepto o que não quer partir.

Fica a sensação de ter querido muito um dia bonito, porque o Inverno promete ser chuvoso e as cores que usamos às vezes não chegam a mudar os tons de que gostamos menos.