Archive for Novembro, 2008

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papéis

Novembro 24, 2008

A tentação começou quando o frio apertou: era necessário acender a lareira. Perto da lenha improvisada, por onde espreitavam pregos ferrugentos e tábuas mal amanhadas,  estavam montes de papéis. Importante o papel, que regista o devido, mesmo quando não queremos. No entanto, como ceder à tentação de atear fogo àqueles iritantes e desordenados montes de papel?

O frio não parava de aumentar, a lareira também, com tábuas, com tudo o que estava à mão, excepto os famosos papéis, reservados para um outro dia… porque o prazer é algo que se degusta.

 Depois de dois dias de intenso sofrimento, incapacitante, foi uma maravilha assistir à dança das chamas, que desenhava formas e contornava as paredes da lareira, deixando-as quentes e com um tom diferente do inicial.

No dia seguinte, por debaixo do papel  de alumínio ainda persistia um pouco de calor, recordação de um momento de deleite para os olhos e para a alma. É necessário encontrar algo que nos dê prazer, mesmo quando tudo parece difícil e enevoado, mesmo quando faz muito frio.

Foi assim que uma avaliação morreu: viva UMA NOVA avaliação.

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Ainda funciono a vapor…

Novembro 15, 2008
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Pois bem, foi dia de fazer algo com o que se tem por casa: apesar do inicial nome “rosmaninho”,  decidi-me pelo tomilho,  erva cidreira, pimenta preta em grão, flor de sal… água, e, esperei apenas um pouquinho… pois a preparação foi rápida, cheirosa e saborosa. Coloquei os ingredientes acima referidos dentro de um pouco de água, sobre a “espécie de grelha metálica” em forma de flor, adicionei dois robalos previamente preparados e o resultado foi óptimo. Recomendo (neste caso foi acompanhado com feijão-verde cozido, devidamente temperado com azeite e vinagre balsâmico biológico.

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uma a uma…

Novembro 11, 2008

ou uma dúzia, a escolha é de quem come!

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Páginas em branco

Novembro 6, 2008

Sabia que a página estava em branco.

O Word não processava nenhuma palavra, nem seria lógico que tal sucedesse. Mas a lógica fugia quando se tratava de desbravar caminhos. Não era a novidade no silêncio, nem o silêncio perante a enormidade do percurso que nunca traduziria. Não era nada era mais um tudo, desde a letra escrita no vidro embaciado de manhã, o sorriso perante o canto desafinando com que teimava em acompanhar as canções da rádio local.

 Já sabia que havia um calor morno no quotidiano, o seu tinha mais sobressaltos do que os amortecedores da Renault 5. 

Na página em branco via claramente que tudo o que queria escrever, atingia temperaturas elevadas. Nem as quebras bruscas que anunciavam a nova estação deixavam esquecer aquela página que continuaria em branco. No seu teclado interior premia as teclas exactas, numa cadência que conhecia a frase mais íntima e a forma de poema que mexia com o coração e com a estrutura do desejo.