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Páginas em branco

Novembro 6, 2008

Sabia que a página estava em branco.

O Word não processava nenhuma palavra, nem seria lógico que tal sucedesse. Mas a lógica fugia quando se tratava de desbravar caminhos. Não era a novidade no silêncio, nem o silêncio perante a enormidade do percurso que nunca traduziria. Não era nada era mais um tudo, desde a letra escrita no vidro embaciado de manhã, o sorriso perante o canto desafinando com que teimava em acompanhar as canções da rádio local.

 Já sabia que havia um calor morno no quotidiano, o seu tinha mais sobressaltos do que os amortecedores da Renault 5. 

Na página em branco via claramente que tudo o que queria escrever, atingia temperaturas elevadas. Nem as quebras bruscas que anunciavam a nova estação deixavam esquecer aquela página que continuaria em branco. No seu teclado interior premia as teclas exactas, numa cadência que conhecia a frase mais íntima e a forma de poema que mexia com o coração e com a estrutura do desejo.  

 

 

2 comentários

  1. Excelente texto! Não sei como ainda consegues. A minha cabeça está cada vez mais empedernida. Beijo.


  2. Vee, sabes a minha também, somente tenho que fazer algo diferente,senão é pior.



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