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Contas? É melhor não…

Dezembro 9, 2008

Perante uma estranha incapacidade que parece ter tomado conta de mim, decidi aproximar-me dos montes de papéis arrumados em capas coloridas.

Comecei a somar: setenta vezes três, mais 19. Parei, o ritmo cardíaco não obedecia aos pedidos do cérebro. Ainda tantas páginas para corrigir, ler… fui tentar passear nas entrelinhas mas quando o cérebro coxeia, caminhar não é um exercício aprazível.

O que antes fazia com a surpresa maravilhada de querer saber (teriam conseguido, compreenderam o essencial, não estão perdidos, gostam?) tornou-se tarefa obrigatória e cansativa demais por exaustão e tanto cansaço semeado de preocupações. É o que dá fazer contas!

Nada como ir até ao ponto mais afastado da mesa de trabalho, numa tentativa última de conseguir distância de tudo o que magoa.  Assim, por momentos consegue-se ouvir a música, o ressonar dos gatos e o crepitar do fogo. Amanhã terei trabalho extra, hoje vou praticar a arte da fuga temporária, não tenho ilusões, apenas uma dúvida: quando será que a arte da fuga me levará com ela, misturada no rol das coisas boas e das que não têm valor?

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Frase do dia…

Dezembro 8, 2008

“Quando o descontentamento não se expressa é natural que se sintam efeitos secundários, estes, presentes em formas mais ou menos físicas, contribuem para um estado que se associa ao sentimento de perda.  Nada que umas amoras silvestres não possam resolver…”

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papéis

Novembro 24, 2008

A tentação começou quando o frio apertou: era necessário acender a lareira. Perto da lenha improvisada, por onde espreitavam pregos ferrugentos e tábuas mal amanhadas,  estavam montes de papéis. Importante o papel, que regista o devido, mesmo quando não queremos. No entanto, como ceder à tentação de atear fogo àqueles iritantes e desordenados montes de papel?

O frio não parava de aumentar, a lareira também, com tábuas, com tudo o que estava à mão, excepto os famosos papéis, reservados para um outro dia… porque o prazer é algo que se degusta.

 Depois de dois dias de intenso sofrimento, incapacitante, foi uma maravilha assistir à dança das chamas, que desenhava formas e contornava as paredes da lareira, deixando-as quentes e com um tom diferente do inicial.

No dia seguinte, por debaixo do papel  de alumínio ainda persistia um pouco de calor, recordação de um momento de deleite para os olhos e para a alma. É necessário encontrar algo que nos dê prazer, mesmo quando tudo parece difícil e enevoado, mesmo quando faz muito frio.

Foi assim que uma avaliação morreu: viva UMA NOVA avaliação.

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Ainda funciono a vapor…

Novembro 15, 2008
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Pois bem, foi dia de fazer algo com o que se tem por casa: apesar do inicial nome “rosmaninho”,  decidi-me pelo tomilho,  erva cidreira, pimenta preta em grão, flor de sal… água, e, esperei apenas um pouquinho… pois a preparação foi rápida, cheirosa e saborosa. Coloquei os ingredientes acima referidos dentro de um pouco de água, sobre a “espécie de grelha metálica” em forma de flor, adicionei dois robalos previamente preparados e o resultado foi óptimo. Recomendo (neste caso foi acompanhado com feijão-verde cozido, devidamente temperado com azeite e vinagre balsâmico biológico.

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uma a uma…

Novembro 11, 2008

ou uma dúzia, a escolha é de quem come!

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Páginas em branco

Novembro 6, 2008

Sabia que a página estava em branco.

O Word não processava nenhuma palavra, nem seria lógico que tal sucedesse. Mas a lógica fugia quando se tratava de desbravar caminhos. Não era a novidade no silêncio, nem o silêncio perante a enormidade do percurso que nunca traduziria. Não era nada era mais um tudo, desde a letra escrita no vidro embaciado de manhã, o sorriso perante o canto desafinando com que teimava em acompanhar as canções da rádio local.

 Já sabia que havia um calor morno no quotidiano, o seu tinha mais sobressaltos do que os amortecedores da Renault 5. 

Na página em branco via claramente que tudo o que queria escrever, atingia temperaturas elevadas. Nem as quebras bruscas que anunciavam a nova estação deixavam esquecer aquela página que continuaria em branco. No seu teclado interior premia as teclas exactas, numa cadência que conhecia a frase mais íntima e a forma de poema que mexia com o coração e com a estrutura do desejo.  

 

 

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Um dia todos partimos

Outubro 29, 2008

Inevitável. Tal como respiramos ar e expiramos  dióxido de carbono. O prazo das nossas decisões oscila, como os batimentos do coração. Seremos seres perenes, no entanto, não seguimos sós, o medo, a força ou um outro acompanhante que escolhermos estão connosco, trilham os caminhos que fizermos, pendurando-se nas árvores que avistarmos e nos rios que atravessarmos… ou não.

Todos os dias são milagres, a novidade espreita, juntinho à saudade do que ficou , por algum tempo, fora do alcance de um olhar,ou, pelo menos, de um toque. Onde quer que estejamos seremos nós… e o que virmos e fizermos.

Fazemos milagres com os quilómetros, com as horas, apenas porque temos a firme vontade de partir com a fé de que o nosso conhecimento ficará mais forte, de que a transformação que faremos e pela qual passsaremos nos mostrará algo mais ou algo menos.

Todos os  regressos serão também partidas.

Há no detalhe das diferenças e semelhanças  que guiam as nossas decisões uma importância sempre renovada, uma incerteza que nos traz à memória, também, a vontade de viver e de amar, mesmo em tempos difíceis.

De longe, o menos fácil é ficar, permanecer com a força para mudar… o que desejamos mudar.

Não interessam os quilómetros que percorrermos, interessa-nos a forma como o fizermos.

Durante o tempo que duram  as vidas dos que amamos e a nossa própria vida, pode acontecer “perdermos o pé” em apenas meio metro de água. Podemos, ou não  passar a ver o que está mais perto de nós de uma forma diferente, ou, até deixarmos de ver.

 Partir não se resume a/em distância ou próximidade… é mais uma vontade.